quarta-feira, 29 de junho de 2011

de imensa saudade.


(essa é a sinhá).

Amada Sinhá,

Absorto em meu ofício diário fui tomado de súbito, por fagueiro sentimento, que levou-me a ti, através das lembranças d´outrora. Ó sinhá eterna! És tu quem merecia a chibata. Levar-te-ei ao pelourinho mais próximo a fim de marcar tua tez com a brutalidade de minha saudade. Envie-me donde estiveres um pombo correio, pois que de prontidão farei zunir a crina de meu alazão para ir ao teu encontro. Que dispensemos qualquer retórica prolixa a fim de objetivarmos nosso rendez-vous. Em teus braços deixar-me-ei escorrer. Tão logo abandone meu tronco, sairei ávido a tua procura. Até breve em ‘os doces bárbaros’, encore une fois.

Amplexos febris,

Teu devoto.

terça-feira, 28 de junho de 2011

Rwanda hell.



Eva, abi, Eva! Jamais entenderiam tão sutil dialeto, não? Pouco me preocupa essa babaquice. Eva, estou mesmo catatônica com as notícias que ouço, diretamente de Ruanda e do Congo. Finalmente a genocida e facínora da Pauline Nyiramasuhuko foi levada à prisão (perpétua). Qualquer atributo degradante atribuído a essa mulher jamais se convergiria em redundância. Seriam apenas e sempre escassos. Estou sob estado de choque há algumas horas, desde que descobri que o capeta tem um rosto e que não lembra em nada o de Adolph – o cramulhão (argh!) mais pop da humanidade. É preciso dar face ao inimigo – aos possuídos pelo Ódio. Em meio ao inferno povoado por tutsis e hutus reinava essa urubu (foi ministra dos direitos das mulheres - ?!?!?!), responsável por uma das mais cruéis carnificinas da História ( em seu posto, dentre tantas atrocidades, incitava o estupro...). A primeira, e que infelizmente não deveria ser a única, mulher condenada por tal brutalidade. Lamento que ela seja a única pelo simples fato de reconhecer a existência de tantas outras portadoras desse mal inominável. Disseminadoras do germe, dos genes e tudo mais que o possa, da mais violenta maldade. Hoje compreendo o porquê da Paola Bittencourt ser professora dessa cadeira – Genocídio. A mestre, por vezes incompreendida, é porta voz de uma vertente social que se ocupa de dissecar as fofocas mais sórdidas da humanidade. Até me interessar pelo assunto, desperto em um estudo direcionado para meu ofício diário, confesso ter achado peculiar tal interesse. No entanto, desafio ao mais cético dos mortais a não ceder ao fascínio que inspira o oculto universo de indivíduos enfermos pelo ódio que lhes dá face, voz e poder. O poder mais desconexo e infundado que alguém pode exercer. Nesse sentido é que lamento (apenas resta-nos lamentar) a improvável desqualificação da produção acadêmica dos últimos anos, ou das últimas décadas. A Educação goza de seu mais desgostoso declínio e vivencia a mais absoluta decadência. Como isso se faz possível?! Pensadores como a Paola Bittencourt podem nos conduzir a novos rumos, através das mais profundas e extraordinárias reflexões. Pois ao certo raríssimos seriam os indivíduos que entenderiam do que se tratam minhas referências nessa carta a você. É de retumbante importância adquirir tal consciência para que nos desfoquemos de nossas vãs misérias diárias e nos desdobremos para a amplitude de nossos possíveis papéis em terras além. São “fofocas” profundas, como as de Paola, que nos transportam para um universo que conspira pelo socorro de uma humanidade, que se desfaz ao degustar do dissabor de seus letais venenos. É portanto que divago solta por meios incertos. É portanto que digo o que sinto, ainda que mal dito. Não é da água de paulines e adolfos que quero beber. Ah, Paola sugeriu elimar 0.5 pontos da média final do corpo dissente do Mestrado, caso não a sigamos em seu twitter ou caso não curtamos seu facebook. Achei coerente com a cadeira. Espirituosa. Aliviada e vibrante, reitero, pela prisão desse monstro denominado Pauline. E a bandeira de Ruanda é tão simpática, não? Jamais associaria aquela imagem a da brutal realidade ruandês. Bobagem minha essa observação.

Até breve (tou puta. Tou passada),

Diana.

quarta-feira, 22 de junho de 2011

trippin'onRio.


Dear Alps majesty,

I´m sending this simple but sincere description of our Tropical Kingdom after the city transformed its vibration:

Rio de Janeiro is an eccentric tropical kingdom surrounded by a chaotic and massive urban atmosphere. It was founded a very long time ago by the Portuguese and it owes its majestic environment for being the only capital of an European court in the Americas. After independence, Rio remained the capital of the federative republic until the transfer of power to the federal district of Brasília. But for some very special reason, Rio’s biggest treasure is its people. Its people embody an intense cultural flavor, a mixture of European, indigenous and African roots coming together in a very special music, the samba. The city’s most cherished attraction is the friendliness of the cariocas. This mixture of exotic cultures gives it its very unusual and splendid soul. Furthermore, Rio can be enjoyed by all personalities. It may be romantic and relaxing to some yet crazy and fun to others! Rio flows in the rhythm that you choose, but its soul is made of samba. Our cuisine is very special and it has a diverse blend of Brazilian spices. Arriving in Rio is like traveling to a babel of sounds, full of charm and style. Rio’s nature is blessed and the beach is the most democratic place to be! Our climate is wonderful, warm and sun, all year long. Everything is an excuse to celebrate! Rio is a cheio de vida (full of life) town!

love tripping on Rio.

Love.

new age dream.




Dear Alps majesty!

It’s been a long time!
I had a dream about you tonight! It was very meaningful so I decided to write and tell you about it. Here it goes:

You and Chris were living in a big house up in the hills. The landscape was very beautiful and relaxing but on the other hand, paradoxically, it had an austere atmosphere too.
Chris was observing us talk. We were broaching some philosophical subjects. I felt like we were going through the end of a cycle and a new one was about to come. I was also feeling the responsibility we might have to enable this potential new age. For some reason I don’t know further what does it really could mean.
The fact is that the view from "your" house was very impacting. Down the cliff there was a huge lake that could be the sea, but I’m not quite sure. The water was calm and it had a deep tone of turquoise. The weather was a typical autumn day. Suddenly a white river came out from nowhere crossing the garden of your house and Gui appeared talking to someone on his iPhone in the middle of that foam.
All that water was looking for the encounter with the lake -or sea- and we found ourselves inside the water, walking to follow its flow. Some surfers came walking toward us but we kept quiet following our path.
We started to communicate to each other through telepathy. At this moment we were talking about ineffable things and wondering the deepest meaning of that transcendental journey to a new era. For some reason it had to do with getting older, I guess. Well, this dream lead me to a silent thinking. Do you know what it feels like for a girl, right?

love you.

yours,

Sunny Prince.

quinta-feira, 2 de junho de 2011

lava de mim.



Querida Eva, há muito não relato algum acontecimento ocorrido entre o nascer e o morrer do sol. Pois bem. Não pude deixar de pensar em você quando minha companheira de escritório entrou em minha sala em busca de algum mantimento comestível. Acabava de ingerir uma maçã verde, que precedeu uma barra de cereal, que sucedeu uma banana. Juntas refletimos sobre essa obsessão em ingerir substancialmente, de tempos em tempos, alimentos. Manter algum autocontrole é imprescindível por questões, sendo franca e límpida, mais relacionadas à estética. De súbito...


-Vamos embora? Vim trazer sua alforria!

(logo hoje que queria ficar mais um pouco no escritório...) - Vamos! (não se nega a liberdade concedida pelo chefe sob nenhuma hipótese).

02 de junho de 2011.

- bom dia!

10h ela (meu capitão do mato e minha princesa Isabel) cruza o corredor do escritório. Seus cabelos molhados balançam fagueiros em câmera lenta, acariciando sua nuca, enquanto seus olhos entre abertos, ainda amarrotados enternecem minha manhã, logo após a madrugada infame que vivi. Volto ao computador.

Caríssima Eva, sinto-me mais repulsiva e ordinária que uma barata em franco desespero a correr de um lado ao outro enxugando a morte iminente por mera pulsão de vida. Acuada em uma quina qualquer, ameaçada por alguma ave miserável que lhe ataca com bicadas incessantes e ufa! jamais certeiras... Sobrevivi a mais um ataque da entidade facínora que possui Mauro em madrugadas incertas e que fazem-me ter a consciência de que meu fadário é. Simplesmente é. O sentimento que morde, que avança e que eclode como lava de um vulcão que acorda para acudir o aflito que de frio resiste em morrer. Guiada por meu instinto sucumbi ao brado furioso, como o de um animal no deserto ao perder o oásis de vista pelo soprar bravio de uma tempestade de areia. Foi assim que estive durante o novo ataque, do cruel monstro que surgiu para ferir-me usando armas lúgubres e injustificáveis apenas para ver meu sangue escorrer até eu cair. Como fui barata, não havia sangue. Como fui vulcão escarrei fogo e maculei o bicho insano com a ferroada da calda de meu aliado escorpião. Aliás, grande amigo! Deixou a lura para salvar-me de um golpe sujo com feroz exatidão. Cansei-me de ser acusada por torpe e frustrada quando sou Diana, deusa de pontaria audaciosa e perspicácia sagaz. Como poderia meu objeto de afeto tornar-me barata frouxa a zunir impensada para a imensidão de um esgoto injusto e desprezível, apenas por uma mera questão de... tolice podre. Besta covarde que habita a aurora ausente e que o preserva autóctone e soturno, enquanto na alvorada insiste em me ludibriar por aí. Sendo assim, persisto devoto de ti, amiga maior, para dizer-te estar puta e ferida como fera e megera que sou. Deixo meu relato, em meio a cena de novela - em que o antagonista atropela e mata a mulher de seu irmão protagonista ( visão que glorifica minhas palavras)- com sede de vingança e essa não poderia ser melhor definida pelo meu adeus antes do fim. Pois que, sabes bem tu, tal arma antiga e velhaca é expressão eficaz do veneno que arde em meu ferrão zoado. Quão bem faz destilar veneno denso e amargo, que escoa lento até o chão, quando lhe pousam abelhas introduzindo-lhe sabor de mel. O que fazer com o amor? O que fazer dele quando se sabe que só, ele não sobrevive e que precisa d´outros para se suprir do existir. Esses outros, por vezes, são tão contrários a si, que comungam a paixão confluindo a célebre emoção sem razão e que simplesmente é. Não sei. Apenas sim. Sim. Sinto. Sinto como vulcão. Como fogo ardente sedento d´água e de açucar e de seu pau calando a minha boca.