sexta-feira, 25 de novembro de 2011

armanda.



pedia atenção a ela, explanando minha carência, sem pudor algum. às vezes a única solução que temos na vida é nos fazermos de loucas. senão o único método de sobrevivêcia. entender as pessoas está cada vez mais difícil. quando o assunto são os homens o mistério aumenta. a armanda me contou que está apaixonada por um artista plástico. macho, gostoso, com pegada.ui! inteligente, talentoso e produzindo a todo vapor. como se não bastassem tantas qualidades, ele ainda é carinhoso. fazia dois anos que armanda comemorava uma vida solteira e equilibrada. o que convenhamos, é um feito na atualidade. armanda nunca fez o tipo histérica ou deprimida por estar só. ufa! sempre se virou muito bem. uma mulher atípica. em ralidade uma mulher a frente do seu tempo. avant-garde (vanguarda. acho lindo. acho poder). mas, como você muito bem sabe, a paixão, o amor, a atração e outros sentimentos que compõe o universo mítico das relações a dois é fora do tempo e do espaço. em qualquer era é abstrato sentir. em qualquer tempo é imprevisto lidar com a emoção que não se explica, que não se diz, mas que grita e que arde dentro de cada um (a) de nós. armanda resistiu. mas os rodeios foram tantos e tão preciosos, que a envolveram. de repente ela passou a pensar nele. esperar por ele. sonhar com ele. foi aí ela se deu conta de que estava enamorada outra vez. acordou com o canto dos passarinhos. sorriu para os bebês em seus carrinhos. comprou flores. sentiu-se linda, encantada. rodopiou na feira ao receber galanteios de gosto duvidoso dos feirantes, que lhe ofertaram morangos e outras frutas de colorido vibrante! sentiu o sabor da vida irradiar seu paladar. O vento parecia lhe acariciar a pele ainda mais macia. cantou no banho. ouviu música alto. sorriu por qualquer coisa e amou ainda mais o mundo e a humanidade. o chocolate também já não era mais importante. fitou-se no espelho e sentiu-se bonita a ponto de agradecer a deus. ela é mesmo linda. preparou um jantar cheio de temperos e sabores envolventes e inebriantes para um encontro especial. à noite trouxe a lua e ... bom, à noite o céu fechou de repente. ficou tudo cinza. a salada secou. o vinho virou vinagre e o cabelo minguou. ele não ligou. nem mesmo para dizer um desculpa qualquer. ai, que triste. mas armanda não quis se afundar. ficou triste. magoada. sentida. puta. sofridinha. e foi dormir. refletiu sobre essas atitudes dos homens. não entendeu. não tem como entender. tudo ficou opaco outra vez. tudo sem graça de novo. a vida sem perfume. sem quase nenhuma graça. um dia, out of the blue, o cara mandou uma mensagem: 'tem alguma coisa para hoje à noite'?. quem mensagem foi essa, gente?! isto é, 'a vagina está disponível'? ficou brava, e sentindo-se como um buraco oco, respondeu: hoje estou ocupada. ou seja: ficou puta e fechou o parque. vetou a entrada do varão. me perguntou o que eu achava e eu disse: faça-se de louca. mas seja plausível. loucura deve ser dosada. loucura deve ser usada. hoje não deu. amanhã já passou. aja assim. você gosta dele? então dá outra chance. é melhor. para você e para o mundo. nem tanto, nem tão pouco. é melhor assim. de resto só o tempo, (ó deus tempo, seja piedoso!), vai contar. é preciso se permitir sem se rasgar. sabe como? bom, em relação a mim o tempo parece andar com algum defeito. meu timing tem me levado ao passado. ando nostálgica. com saudades das emoções felizes e revigorantes que senti aonde não se pode voltar: no mesmo tempo. espero que ele siga adiante e não mais retrógado, como tem sido para mim nas últimas semanas. tempo, me leva ao futuro feliz? me leva, vai! mereço. ah, e obrigada pelo presente que é eterno. desculpe-me por reclamar tanto. sou humana. às vezes esqueço que tenho o bom dom ao meu lado. beijo. ah, me montei inteira. para ficar em casa. me amo. me fotografei. me (a)creditei: musa. do contrário, néan?...

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

petit cadeau.



Ah, Alberta, estou tão, tão... não sei se estou sendo dramática. Estou preocupada com a Diana. #pronto falei. Não é assim que os jovens se expressam hoje em dia? joguinho da velha + palavra chave = hashtags. Apavorada como sou uma cacura por dentro. Adoro essa pontualidade fútil. Ai, ai, não sei a quem a Diana saiu, gente. Tão sofrida. Tão densa. Tão plutoniana. Tão uraniana. Tão saturnina com ela mesma. Ai, coitada. Que coisa. Uma dificuldade para lidar com as adversidades. Sinto-me tão arrasada. A menina está dilacerada, Alberta. Não sei o que dizer a ela, tão talentosa, inteligente, espirituosa. Mas uma burra, uma anta, uma verdadeira toupeira emocional.

Que é isso, Maria Joana?! Você não é sempre tão positiva? Está vendo? Não é fácil mesmo lidar com os entreveros de toda ordem, Maria Joana. Desde quando foi fácil lidar com os nãos? O problema dessa menina é você! Olha, Maria Joana, só não cometo uma atrocidade porque, para a sua sorte, você está do outro lado dessa linha invisível que nos liga a quilômetros de distância (acho ma ra vi lho so . Jamais me cansei de apreciar essa fantasia concreta). Como você chama a menina assim? Que horror! Ainda bem que ando pacificada.

Ah, Alberta, mas... Não sei lidar. Tenho pavor de sofrimento. Não lido bem com isso. Coisa desagradável.

Para agora com esse “ah, Alberta”! Depois eu desligo o telefone na sua cara e você me chama de grosseirona. Eu?! Sou é muito franca, meu amor. No alto de minha vida semi centenária, já desenvolvi alguma sabedoria. Ah, isso me fez lembrar tanto de uma imbecil do meu passado com quem encontrei no início do ano. Uma cretina que, em meio a conversas condizentes com a sua boçalidade, quis me convencer que o tempo é atemporal e que qualquer experiência que tivemos em nossa vã existência é nada frente ao infinito. Ou seja, todos os meus 62 anos de nada me valem frente ao cosmos. Ok, o que são 62 anos em um contexto tão impensável? Mas não me venha dizer que de nada valeram porque não. Não dá. Meu cu, Maria Joana, para esse tipo de colocação fundamentada em argumentos místicos. Não que eu os desqualifique. De modo algum. Mas vindo dela... Ora, me poupe. Aliás, meu cu não! Meu excremento para ela. Pois meu cu tem imenso valor. Eu hein. Mas seguindo adiante, MJ, devo dizer que entendo a Diana, viu? Escutar suas lamúrias faz com que, inevitavelmente, eu revisite meu passado. Afinal, sempre fui uma ansiosa incorrigível como a Diana. Ah, saudades dos tempos d’outrora. Saudades da aurora de minha vida. Ai, que horror! Vamos transmutar essa melancolia. É isso. Bom, mais tarde convidarei a Diana para jantar comigo. Certamente tenho coisas mais interessantes que as suas para dizer a ela.

Ah, Alberta, que coisa, que horror! Muito apavorada! Não precisa vir com 7 (número cabalístico porque estou mística) pedras na mão! O que você diria a ela que eu não poderia dizer?

Primeiramente que não escute a você e suas ladainhas insanas e inoportunas em um momento tão delicado. Lembra, MJ, que chegar aos 34 é uma batalha? Você se lembra bem do quanto conversávamos? Sei que sua memória é bastante defasada pelo uso contínuo de ervas tão naturais, mas concentre-se. Revisite o tempo. Aos 34, éramos ainda jovens, mas já nem tanto. Aos 34 entendemos, cruelmente, a finitude da vida. É visceral. Percebemos o deus tempo de outro modo. Compreendemos o seu peso e o seu valor e a sua importância. O deus tempo é tão poderoso, fascinante e implacável que se torna assustador. Aos 34 queremos resoluções para males já antigos. Desejamos nos livrar dos incômodos remanescentes. Lutamos para deixar para trás aquilo que se arrasta sem mais razão e ainda assim, a nossa vontade não é capaz de concretizar nossos ideais. Mais que isso, há aqueles resquícios que não foram deixados para trás pela simples percepção da realidade que nos desperta sem qualquer pudor. Aos 34 é preciso fazer um balanço da vida para que novas escolhas possam determinar a próxima vida que se inicia aos 40. É um período angustiante. Mais para uns que para outros. Diana é uma romântica incorrigível. Uma sonhadora e uma idealista. Sofre mais um pouco que muitos. Mas pequenas crises existenciais são bem vindas. Não se preocupe tanto. Confie nela. Ela saberá o que fazer. Ao beirar os 34 (3+4=7=número cabalístico=misticismo=adoro) é natural que ela se sinta frustrada por ainda ter que resolver assuntos que julga estarem esgotados. Enquanto há vida, não há fim definitivo. Ela ainda não entendeu que se determinadas questões ainda pulsam no ar em que respira é porque restam fragmentos do passado que necessitam ser trabalhados. Esse papo de passado é um porre, mas é inevitável. É preciso investir em desapego e, portanto é necessário reinventar antigos maus hábitos. Para alguns funciona assim. Para a Diana é um estilo de vida. Mas ela vai se reestruturar. Quantas coisas essa menina já passou. Ela sempre levanta, sempre sai melhor e mais segura ao fim de cada desafio. Convenhamos, o pior deles foi ter sido parida por você.

Ai, que horror, Alberta. Estou preocupada, sou mãe, sou apavorada. Tenha algum respeito e carinho. Diz que me ama.

E o que mais exprime esse meu gesto, que não carinho? Você é uma pândega, MJ. Todos dizemos "eu te amo" e são inúmeras as maneiras de dizer a mesma coisa. É impressionante. Não sei como somos amigas há mais de 30 anos. Aos 59 (mentira. 62) ainda te aturo. Estou fatigada hoje. Pouco inspirada. Não insista em provocações tolas. Vamos desfilar na Vila Isabel? A Gabi Miracle enviou o email com as coordenadas para que desfilemos na ala que ela representa. Estou animadíssima, só que não, sabe? Tal como direi a Diana, é preciso balançar a tristeza, meu amor. Tem acompanhado o noticiário? Nojo do Sérgio (Cabral). Precisamos discorrer sobre esse ponto em breve. Ganhei um chá de coca da Ortega Flores e estou a-pai-xo-na-da. Frescor dos mais altos picos bolivianos. Uma delícia. Ah, Maria Joana, começo a escutar uma canção que me parece muitíssimo apropriada ao momento da Diana. Vou enviar a ela esse petit cadeau:

“(...)mon dieu que c'est moche, c'est ennuyeux. tu t'es joué de moi. Mon dieu que c'est cloche de se dire adieu et paris est si froid. mon dieu si tu existes même un peu. ramène-moi. mon aquarelliste si vaniteux qui ne peignait que moi, même si le temps passe je n'oublie pas: le samba de jours avec toi, le samba de mon coeur qui bat”.

Que linda essa música. Irônica. Acho que vai cair bem. Vou convidá-la para um vinho. Deixe-a em minhas mãos e devolverei sua joia polida e ainda mais reluzente. Adooooro ( é tudo o que eles dizem hoje. É como vírgula). Lamento por não ter ido além. Mercúrio deve andar retrógado ou em vias de. C’est ça pour aujourd’hui. Pouco profunda. Bastante otimista (ainda que você acredite no contrário). Como sempre. Não é possível nos entregarmos às tragédias pessoais. O pensamento é o condutor mais poderoso de todas as nossas energias vitais. Com isso, direi a Diana o seguinte: sofra, chore, sinta-se péssima. Por pouco tempo. Reaja, repense, resista ao lado negro da força. Seja combativa. O mundo acaba inúmeras vezes na vida, mas a gente sobrevive; Descarregue suas dores e compreenda suas razões. É assim. Os ciclos não cessam e tampouco a luta. Não há gozo mais esplêndido que o provocado pela superação. Diana sabe bem disso. Basta seguir. Ela conhece o ensinamento. Soube usá-lo por instinto outras vezes. Isso prova minha teoria de que a sua força é inerente a sua essência. Nos falamos.

Alberta.

Obs- Escuto ao fim desse email “satisfy my soul (bob marley)” e aos 59 (mentira. 62) sinto-me uma menina de 20 em Trancoso, pela primeira vez. Ai, ai. Calor que provoca arrepio.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

eu e a besta.



É.

‘Vou sobrevivendo sem um (e sim com centenas de arranhões) arranhão, da caridade (sequer isso) de quem me detesta'.

Um luto é sempre plural. Sempre. Um merda nunca é sozinha. Impressionante, não? Sempre vem acompanhada. O luto comumente faz a cova dos desesperos mal enterrados ser escancarada e então aquele cheiro de vala, que nos lembra que a merda é mesmo plural, sobe e se espalha sem piedade. Não tem jeito. Basta uma mortezinha para que um motim de assombrações entre em festa! É. Foda.

Mais difícil ainda é ter que lidar com a constatação de que encontrar um tempo para sofrer em paz é mera utopia. Seria luxuoso demais para uma ordinária como eu, tão frágil como todos os reles mortais. Perdi mais uma batalha e já preciso estar a postos para a próxima que se faz, sempre, do confronto com a derrota mais recente. Foda. Fodinha.

Restou-me a esperança. Geralmente ela tomba das minhas mãos quando mais preciso.

Sonho/ pesadelo:

Uma sede voraz abate minha alma. Agonizo por necessidade d'água. Rogo por socorro. Estou completamente exaurida. A insanidade torna-se meu exílio. Minha rspiração ofegante traduz o desejo pelo último copo d'água. O sol arde em brasa, sem dó, sobre meu corpo que definha e sequer é capaz de suar. Enxergo um vulto. Sinto um calor a abrandar minha alva tez. Uma minúscula sombra me conforta. Um nobre inseto acaricia minha pele ao pousar em mim. Agradeço, emocionada, tamanha compaixão. Ensaio um sorriso. Minha tentativa é frustrada. Faltou-me força. Um vulto humano se aproxima. Não reconheço aquela voz que brada: - água! Um pequeno copo de plástico surge diante de minha prejudicada visão. Alguém tenta me levantar. Meus ossos doem demais. Ajudam-me, em vão, a conduzir aquele único resto d'água à minha boca. O copo arrebenta. Sinto um pouco d'água a escorrer sobre minha pele que absorve o líquido pelos poros enquanto respiro ofegante um choro que não vinga. Não há mais nenhuma gota d'água e sem a água não nasce a lágrima. Derrota e dor. Minha língua gruda em minha garganta e deixo de respirar.

Desperto sufocada. Que alívio.

Curioso como o dia de ontem me fez revisitar um tempo tão outro. Um tempo em que, exatamente no mesmo dia do mesmo mês, as coisas pareceram dar muito errado. Recordar foi precioso. Pois foi depois daquele horror, há 6 anos, que renasci para o agora.
Resolvi regar com o pranto a minha força. Levantei-me, tarde, sem preocupar-me com atrasos e afins. A única coisa que realmente importou foram as músicas que me serviram como mantras. Refugio-me no universo inefável. Ponto de encontro crucial.

Falta-me inspiração para dizer mais. Tudo bem. Pouco é o suficiente. Um simples desabafo composto de metáforas duvidosas me caem bem. Foi somente mais uma dor. Só mais uma. Nada demais. Nada além disso.

Perdi uma batalha, mas jamais a guerra. Sigo adiante no caminho. É do meu andar que o refaço. É disso que me vale a existência e continuo, formosa e fagueira, a balançar meu corpo, ainda distante (ufa!) de sua dernière danse. Uh lá lá!

Olho o mundo lá fora pela janela. Fito a vida em movimento. Como eu gosto disso. Sinto imenso desejo de voar para o meu ninho. Meu ninho é o meu mundo e esse mundo é o nosso. Todo ele. Não há fronteiras. Os caminhos são todos. O caminho é aquele que eu tomar. É simples (mentira). Basta seguir em frente. O espaço tem amplitude infinita (magia) e devo ir apenas a qualquer lugar e, ainda, a tantos outros. Para que me preocupar mais? O tudo é sempre o incerto. O incerto é sempre o caminho. Preste bem atenção.

Carrego comigo uma besta pela estrada. Tudo bem. Ela sou eu. Somos dupla, afinal. Precisamos uma da outra. Somos una. A besta e eu. Somos duo a remar contra a maré. Coisa comum às bestas como nós. Sou uma iludida e quando me reconheço sou mais contente. Não me basto se não sonho. O sonho é o meu estilo e tá tudo bem. Assim.

Obrigada.

Diana.

terça-feira, 22 de novembro de 2011

encore une fois.



Paola, dear! Acabo de ler o seu email e: a=pa=vo=ra=da. Mal posso acreditar naquilo que li. Paola, quem diria, tornou-se a mais nova menina bahiana com jeito de deusa dos trópicos. Nada como um bom mergulho naquele mar caribenho para alterar os temperos dessa vida, não é mesmo? Haja dendê e ervas da Provance.

Hoje passei por mais uma, dentre as inúmeras e incessantes, situações humilhantes da minha vida. Recebi mais um não para a minha coleção de outros incontáveis tantos. Sabe aquela vaga com a qual tanto sonhei? Aquela mesmo, com quem tanto fiz planos. Aquela que me fez acreditar que tudo seria diferente, que finalmente poderia trilhar um caminho novo, alternativo e mais feliz para minha singela vidinha. Aquela que oferecia inúmeras e interessantes oportunidades de capacitação, aquela que me levaria ao exercício diário da escrita, meu prazer mais visceral. Aquela vaga que faria sentir-me orgulhosa no alto do meu salto que já pisava leve a irradiar vigor pelo corredor. Ficou horrível essa frase. Não foi intencional essa rima uó. Deixei-a passar apenas pelo fato dela condizer com o dia do não.

Tudo uma merda.

Não consegui a porra da vaga dos sonhos, Paola. Justo agora você vai para a Austrália e me deixa aqui sozinha.

Sou uma tola. Porque, de qualquer forma, ainda que aqui você estivesse tudo o que poderia dizer não seria nada além das suas cruas verdades. Diria apenas que é isso mesmo e seguiria feliz em seus afazeres. Tudo bem. Que se foda o não.

Mas vamos lá mesmo assim.

Dei uma choradinha. Me emocionei por auto piedade. Chorei calada, sozinha. No banheiro, na cozinha e na sala da colega do escritório. Chorei quando pensei que o problema é comigo. Chorei quando me senti uma fracassada. Chorei quando pensei no incerto ano que se aproxima. Chorei quando lembrei do massacre ao meu ego que representou o ano de 2010. Temor absoluto. Frustração. Cansaço. Fatiga.

O que será de mim?

O ano nessa cidade só começa em março, isto é, tou fodida, tou cagada. Puta que me pariu! Por que tudo é tão difícil para mim? Caralho, vai tomar no cu! Quero que o mundo acabe, quero que o candidato que conseguiu a vaga, conquiste algo muito mais incrível na sua vida e que lhes deixe na mão.

Isto é, Paola, em suma: sofri como uma vaca que perde o bezerro. Me fudi. Aí resolvi praguejar todo o mundo. Me enraiveci. Mas sabe o que aconteceu depois desse circo?

Pensei. O seguinte:

As coisas nunca foram fáceis mesmo. Sempre houve pedras e mais pedras e toda sorte de trolhas no caminho. Já levei inúmeros foras na vida, ou da vida (voz). Fato é que já sou um pouco calejada, néan? Menina, depois daqueles espasmos de nervosismo contido que tive lá no escritório, retomei a reflexão de maneira mais sensata.

Tentei. Não consegui.

Rapidamente, fui mais uma vez possuída pela ira e maquinei pequenas e absurdas vinganças contra a humanidade. Já cansada de tanto pensar peguei o iphone para procurar uma trilha sonora que pudesse alimentar aquele momento. Vício. (T.O.C).

Escolhi uma vala’s music, deprê total, bem 'afunda a carranca na lama dos vitimados' e sequer surtiu efeito. Fiquei apavorada. Deixei o modo aleatório, mais incompetente da história(pois escolhe sempre a mesma sequencia de merda), rolar e eis que fui contagiada por um sambão que me abalou, surpreendentemente!

Assim, mais empolgada pelo samba, segui meu caminho até meu doce lar e acreditei ser mais uma das muitas brasileiras que levam, com dignidade, uma boa e ardente “vida de mulata”*** em plena Saint Sebastian of January River (apavorada com o horror desse nome em inglês).

Fazer o que, não?

Ao chegar, bem calma a casa, resolvi regar minhas lindas plantas e o borrifador, fofo que eu amo, quebrou em minhas mãos enquanto eu as molhava. Foi difícil não associar o incidente à péssima notícia que recebi. Ou seja, neurotizei e achei que tudo que está acontecendo hoje, prova a minha teoria imunda de que “hoje não é o meu dia”.

Silêncio.

Não tardou para que eu percebesse que seguir essa linha de raciocínio seria inútil, afinal todos passamos por isso na vida,não é mesmo? Todos temos nossas dores, angústias e frustrações e, portanto não sou uma barata desprezível. Viajando nessa onda “positiva”, resolvi acender um cigarrão. Porém o isqueiro, simplesmente, parou de funcionar de uma noite para a outra. Inacreditável. Pensei, até mesmo, que poderia ser alguma problema com minhas mãos, tipo 'toco = destruo'.Fui ao banheiro e ao puxar a descarga deixei a toalha de mão cair no vaso. Isso significou que perdi uma toalha, do meu pequeno enxoval, para as bactérias.

Decidi não malhar, não sair de casa, sob nenhuma hipótese. Achei prudente tragar o esquecimento e relaxar ouvindo os ruídos da rua.

Daqui a pouco ligo o som e tomo uma banho e vou jantar e assim seguirá tudo, tal como o antes, o hoje, o amanhã. Chove lá fora. Como gosto desse barulho.

Para tudo há alternativa, não é mesmo¿

Só posso mesmo ser simples. Simplicidade, muitas vezes, é puríssima sofisticação.

Felicidade agora seria a mais franca mentira.

Sou phyna.

Diana.

*** POIVRE, Daniel et al. Vida de Mulata. 1. ed. Rio de Janeiro: Ed. Urus Truculentus, 2011.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

diamante da ilha.



Prezada Diana, ou melhor, Diana apenas. Prezada é o caralho! De saco cheio desse monte de informalidades imundas, sórdidas e hipócritas. Olha, Diana, li tudo o que você escreveu na última carta e vou direto ao assunto: não tenho nada para te dizer. Você está de-ve-ras chata. Entendo. Entendo tudo. Sou mulher, sou fêmea, sou fatal. Mas só percebi isso ontem, ao sair da Martinica, depois de ingerir por 6 dias aqueles kilos de quinua boliviana, que importei para a missão. Não seria capaz de engolir nada, além disso.

Ai, foi difícil, viu? Já deu uma olhadinha na Suzan? Alguma novidade astrológica quente? Pois eu tenho. Eu, que nasci com a Vênus em Câncer no mapa natal, fui premiada com um trânsito que levou a mesma Vênus a uma regência (temporária) leonina. Causou furor. Total. Crise no casamento. Crise na profissão. Crise. E eu?! Só sei que quero mais! Necessito ser mais bem tratada, mais valorizada e muito mais reconhecida. Preciso de alguém que me corteje e que prove que estou certa. Certa de que sou o máximo. Quero situações que fomentem minha segurança, que espalhem meu brilho, meu glamour, minha glória. Estou assim. Quero coisas simples. Quero somente o mais!

A astrologia vem me conduzindo por novas percepções e tenho tão pouco tempo para fazer valer meus mais densos anseios. Eike ansiedade, gente! Diana, acorda! O tempo tá aí, na cara do gol. Já temos 30 e poucos! Estamos em plena meia idade. O que nos restará após os 70? Espero, meu amor, que muito dinheiro e sucesso na geladeira. Como assim?! Sucesso se guarda na geladeira, minha querida. Ai, sei lá, um lance assim. Penso em dizer e dizer, porém sou somente capaz de vomitar um texto solto que diz mais a mim que a você. Mas o que poderia eu fazer? Cansei da minha vida erudita e dessa militância engajada e alucinada. Quero mesmo é me arrepiar inteira ao mirar um mancebo alucinante que me faça vibrar o corpo dos pés a cabeça. Quero tom sûr tom em minha juba cristalina. Quero, quero, aiê... Como eu quero.

“(...)o que você precisa é de um retoque total, vou transformar o seu rascunho em arte final. Agora não tem jeito, cê tá numa cilada, cada um por si, você por mim e mais nada (...)”. sou cafona, sou apaixonada.

Entendeu? Me apaixonei na Martinica, Diana. Me fudi! Me fudi? Me ajuda, Diana. Cadê o guru? Cadê? Passa o telefone? Faz alguma coisa! Maldito arrepio que me suplanta a mente e a razão. Ai, me inundo de desejo. Deliro naquele beijo que não dei. Só consigo me arrepiar. Perdi 3 kilos de quadril, só de pensar. Isso sim é spa humanitário. Não sei se perdi a razão ou se a encontrei naquele membro do panteão solar. Meu Deus, sou somente sua! Me leva com você! Meu sangue corre feito tsunamis, minhas veias não suportam tanta pressão! Aiiii, que delícia de sentir.

Jamais fui tão feliz, Diana. Desamarra esse bode, mulher! Se entregue a luxúria que não passa de portal pros encantos dos desejos que se fundem ao universo em desalento. Sai dessa, Di! Pula na canoa do brejeiro e balbucie feliz: “(...)tudo fica mais bonito quando você está por perto. Você me levou ao delírio por isso eu confesso, os seus beijos são ardentes(...)”. malemolência mais safada e divina.

Aiiii, que suspiro dengoso que me faz mais tão plena. Meu cérebro desceu. Pensava que isto só era fenômeno entre os homens, mas ledo engano meu. Não tenho cabeça. Não temo a vagina. Penso através dela. Sou bicho, sou fera insana que caça na mata que arde em brasa por um beijo. Estou transtornada de felicidade. Não penso mais. Não penso. Eu suo. Suo os neurônios pela carne que se amacia pelo calor que me arde e me leva a loucura. Jamais, antes nessa vida insana, imaginei que justo eu, compreenderia a Alcione pelas entranhas. Minha estranha loucura. Seu beijo no meu.


urubus truculentus. Sou escárnio.

Sabe o que sou de fato? Um piranha platônica. Somos. Por fim devo dizer que: se eu for à Fort-de-France não respondo por mim. E tenho dito. Tou fora de mim. Não sou mais nada sem minha fantasia. Que sufoco.

Paola.