sexta-feira, 25 de novembro de 2011

armanda.



pedia atenção a ela, explanando minha carência, sem pudor algum. às vezes a única solução que temos na vida é nos fazermos de loucas. senão o único método de sobrevivêcia. entender as pessoas está cada vez mais difícil. quando o assunto são os homens o mistério aumenta. a armanda me contou que está apaixonada por um artista plástico. macho, gostoso, com pegada.ui! inteligente, talentoso e produzindo a todo vapor. como se não bastassem tantas qualidades, ele ainda é carinhoso. fazia dois anos que armanda comemorava uma vida solteira e equilibrada. o que convenhamos, é um feito na atualidade. armanda nunca fez o tipo histérica ou deprimida por estar só. ufa! sempre se virou muito bem. uma mulher atípica. em ralidade uma mulher a frente do seu tempo. avant-garde (vanguarda. acho lindo. acho poder). mas, como você muito bem sabe, a paixão, o amor, a atração e outros sentimentos que compõe o universo mítico das relações a dois é fora do tempo e do espaço. em qualquer era é abstrato sentir. em qualquer tempo é imprevisto lidar com a emoção que não se explica, que não se diz, mas que grita e que arde dentro de cada um (a) de nós. armanda resistiu. mas os rodeios foram tantos e tão preciosos, que a envolveram. de repente ela passou a pensar nele. esperar por ele. sonhar com ele. foi aí ela se deu conta de que estava enamorada outra vez. acordou com o canto dos passarinhos. sorriu para os bebês em seus carrinhos. comprou flores. sentiu-se linda, encantada. rodopiou na feira ao receber galanteios de gosto duvidoso dos feirantes, que lhe ofertaram morangos e outras frutas de colorido vibrante! sentiu o sabor da vida irradiar seu paladar. O vento parecia lhe acariciar a pele ainda mais macia. cantou no banho. ouviu música alto. sorriu por qualquer coisa e amou ainda mais o mundo e a humanidade. o chocolate também já não era mais importante. fitou-se no espelho e sentiu-se bonita a ponto de agradecer a deus. ela é mesmo linda. preparou um jantar cheio de temperos e sabores envolventes e inebriantes para um encontro especial. à noite trouxe a lua e ... bom, à noite o céu fechou de repente. ficou tudo cinza. a salada secou. o vinho virou vinagre e o cabelo minguou. ele não ligou. nem mesmo para dizer um desculpa qualquer. ai, que triste. mas armanda não quis se afundar. ficou triste. magoada. sentida. puta. sofridinha. e foi dormir. refletiu sobre essas atitudes dos homens. não entendeu. não tem como entender. tudo ficou opaco outra vez. tudo sem graça de novo. a vida sem perfume. sem quase nenhuma graça. um dia, out of the blue, o cara mandou uma mensagem: 'tem alguma coisa para hoje à noite'?. quem mensagem foi essa, gente?! isto é, 'a vagina está disponível'? ficou brava, e sentindo-se como um buraco oco, respondeu: hoje estou ocupada. ou seja: ficou puta e fechou o parque. vetou a entrada do varão. me perguntou o que eu achava e eu disse: faça-se de louca. mas seja plausível. loucura deve ser dosada. loucura deve ser usada. hoje não deu. amanhã já passou. aja assim. você gosta dele? então dá outra chance. é melhor. para você e para o mundo. nem tanto, nem tão pouco. é melhor assim. de resto só o tempo, (ó deus tempo, seja piedoso!), vai contar. é preciso se permitir sem se rasgar. sabe como? bom, em relação a mim o tempo parece andar com algum defeito. meu timing tem me levado ao passado. ando nostálgica. com saudades das emoções felizes e revigorantes que senti aonde não se pode voltar: no mesmo tempo. espero que ele siga adiante e não mais retrógado, como tem sido para mim nas últimas semanas. tempo, me leva ao futuro feliz? me leva, vai! mereço. ah, e obrigada pelo presente que é eterno. desculpe-me por reclamar tanto. sou humana. às vezes esqueço que tenho o bom dom ao meu lado. beijo. ah, me montei inteira. para ficar em casa. me amo. me fotografei. me (a)creditei: musa. do contrário, néan?...

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